
Piso mínimo de frete: como calcular a tabela da ANTT
Frete abaixo do piso não gera CIOT e a operação não existe. Veja a fórmula da ANTT, o passo a passo do cálculo e o que mudou com a lei de agosto.
Como auditar o abastecimento da frota em 30 dias: a conta que separa fraude de consumo ruim, o erro que a lei tolera na bomba e o que exigir no posto.

O extrato do cartão combustível fecha certinho no fim do mês. O que não fecha é o tanque. A frota rodou praticamente o mesmo que no mês anterior, os veículos são os mesmos, os motoristas são os mesmos — e mesmo assim entraram algumas centenas de litros a mais na conta. Ninguém sabe apontar de onde vieram, e a conversa morre em "deve ser o preço, que subiu".
Combustível é a maior linha de custo variável da maioria das frotas e a que passa por mais gente antes de virar despesa: motorista, frentista, bomba, cartão, financeiro. Cada etapa vaza de um jeito. A boa notícia é que quase todo vazamento aparece no cruzamento de três dados que a frota já tem — litros, quilômetros e data. Este guia mostra como cruzar os três e terminar o mês com um número, não com desconfiança.
Antes de sair procurando culpado, vale saber o que você está procurando. O litro "some" por cinco caminhos bem diferentes, e cada um se resolve de um jeito:
As quatro primeiras são problemas de controle. A quinta é de manutenção — e, na prática, é a mais frequente das cinco. Por isso toda auditoria séria começa separando as duas coisas. Sem essa separação, você acaba procurando fraude onde havia um filtro de ar entupido, ou mandando o carro para a oficina quando o problema estava no cartão.
Todo veículo tem uma média própria de quilômetros por litro. Ela oscila com carga, rota e trânsito, mas oscila dentro de uma faixa. O primeiro trabalho é conhecer essa faixa por veículo — não da frota inteira, que mistura utilitário de entrega urbana com caminhão de estrada e produz uma média que não descreve nenhum dos dois.
A conta é a de sempre: quilômetros rodados divididos pelos litros abastecidos, sempre entre dois abastecimentos completos, com o hodômetro anotado no ato. Se a sua frota já calcula o custo por km rodado, metade do trabalho está pronta — é o mesmo dado, olhado por veículo e por semana em vez de por frota e por mês. Com três a seis meses de histórico, você tem a faixa normal de cada carro.
Com a faixa na mão, o diagnóstico fica quase automático. Consumo que piora aos poucos, mês a mês, e volta ao normal depois de uma revisão: é manutenção. Consumo que despenca de uma semana para a outra sem nada ter mudado na operação: é controle. Consumo normal e gasto alto: é preço. São três problemas distintos, com três donos distintos dentro da empresa.

Antes de suspeitar do posto, vale saber onde fica a linha. O regulamento técnico metrológico das bombas medidoras, aprovado pela Portaria Inmetro nº 227/2022, admite erro de ±0,5% na indicação de volume. Traduzindo para a medida usada na verificação: em 20 litros, são 100 ml para mais ou para menos. Isso é legal e acontece em qualquer bomba dentro da norma.
Meio por cento parece pouco e é pouco, mesmo em escala. Uma frota que consome 10.000 litros de diesel por mês, ao preço médio de revenda de R$ 6,89 por litro apurado pela ANP na semana de 16 a 22 de agosto de 2026, tem no máximo cerca de R$ 345,00 por mês em jogo nessa tolerância. Ou seja: se o seu rombo é de milhares de reais, ele não está na tolerância da bomba. Está em outro lugar — e é isso que a auditoria vai encontrar.
Irregularidade é outra coisa. A ANP exige que o posto só forneça combustível por bomba medidora aferida e certificada pelo Inmetro ou por empresa credenciada, e que cada bomba informe de forma clara e ostensiva a origem do combustível: nome fantasia, se houver, razão social e CNPJ do fornecedor. Comercializar combustível fora das especificações pode render ao posto multa de R$ 20.000,00 a R$ 5.000.000,00, além de interdição de bicos e tanques.
Boa parte dos gestores não usa os direitos que já tem. Estão todos na cartilha do posto revendedor publicada pela ANP:
Pedir a aferição de 20 litros não é briga: leva alguns minutos e o posto está obrigado a fazer. Em frota, o efeito prático é maior que o resultado do teste em si — o posto que sabe que a sua empresa confere passa a ser um posto diferente. A ANP mantém a Ouvidoria no 0800 970 0267 para o que não se resolver ali.
A terceira fonte de perda não tem nada de criminosa e costuma ser a maior de todas: pagar acima do mercado. A ANP publica semanalmente o levantamento de preços de revenda por estado e por capital, e a dispersão é grande. Na semana de 16 a 22 de agosto de 2026, o diesel S10 teve média nacional de R$ 6,89 por litro, com médias por capital indo de R$ 6,31 em Porto Alegre a R$ 8,04 em Rio Branco. São R$ 1,73 de diferença no mesmo litro, no mesmo país, na mesma semana.
Use o levantamento como régua: preço médio da sua UF ao lado do preço médio que a frota pagou no mês. Se a frota paga sistematicamente acima da média do estado, o problema não é fraude — é negociação, e se resolve com contrato, lista de postos autorizados e rota planejada para abastecer onde compensa. Vale a mesma lógica da escolha entre etanol e gasolina na frota leve: decisão de combustível é conta, não preferência.

A Portaria Inmetro nº 227/2022 admite erro de ±0,5% na indicação de volume das bombas medidoras. Na medida-padrão de 20 litros usada na verificação, isso equivale a 100 ml para mais ou para menos. Diferenças dentro dessa margem são normais e não caracterizam irregularidade.
Sim. O posto revendedor precisa manter uma medida-padrão de 20 litros aferida e lacrada pelo Inmetro justamente para verificar o equipamento medidor quando o consumidor solicitar, no ato do abastecimento. O mesmo vale para as análises de qualidade da gasolina, do diesel e do etanol hidratado.
Três filtros pegam a maioria dos casos: volume maior que a capacidade do tanque do veículo, dois abastecimentos do mesmo veículo em intervalo curto demais para o consumo real e queda brusca de km/L sem alteração de rota ou carga. Nenhum deles é prova isolada — o que confirma é a repetição do mesmo padrão.
Resolve o rastro, não a entrega. O cartão registra data, posto, valor e placa, o que torna a auditoria possível; mas ele não sabe se o combustível entrou naquele tanque. O controle só fecha quando o registro do cartão é cruzado com hodômetro e consumo do veículo.
Por exceção, todo mês: só os veículos que saíram da faixa. Completa, uma vez por trimestre, incluindo comparação de preço com o levantamento da ANP e revisão da lista de postos autorizados. Auditoria mensal completa costuma consumir mais tempo do que o valor que recupera.
Conteúdo informativo, atualizado em 29/08/2026. Regras de trânsito e valores mudam por estado e por resolução — confirme sempre no órgão oficial antes de decidir.

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