
Etiqueta do Inmetro no pneu: como ler antes de comprar
As três informações da etiqueta do pneu dizem o que o preço da cotação esconde. Veja como ler consumo, frenagem e ruído antes de fechar a compra.
Desde 1º de agosto de 2026 a gasolina comum tem 32% de etanol. Veja por que a regra dos 70% engana na frota e como achar a paridade real de cada veículo.

A frota tem 22 carros flex e, toda semana, alguém pergunta a mesma coisa: compensa abastecer com etanol? A resposta que circula na empresa também é sempre a mesma — se o etanol estiver abaixo de 70% do preço da gasolina, vale. É uma regra prática, fácil de decorar, e que funciona razoavelmente bem para quem tem um carro só.
Para quem responde por 22, ela custa dinheiro. E desde 1º de agosto de 2026 ela ficou ainda mais frágil: a gasolina comum que sai da bomba não é a mesma de julho.
A Resolução CNPE nº 9/2026, publicada em edição extra do Diário Oficial da União em 30/07/2026, elevou de 30% para 32% o percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina C comum e à gasolina C comum aditivada em todo o território nacional — o chamado E32. A medida entrou em vigor em 1º de agosto de 2026, tem duração de 180 dias e pode ser prorrogada uma única vez por igual período. É explicitamente temporária e excepcional.
A gasolina premium ficou de fora: o teor de etanol anidro nela permanece em 25%. E a ANP esclareceu que a adoção do E32 não altera, neste momento, as demais especificações da gasolina previstas na Resolução ANP nº 807/2020, incluindo o Número de Octano Pesquisa (RON), que segue em 94,0. Ou seja: não é uma gasolina fora de especificação, é uma gasolina com outra composição.
Um detalhe que afeta diretamente quem abastece frota: nem todo posto trocou o estoque no dia 1º. Continua valendo a regra de transição do art. 15-B da Resolução ANP nº 807/2020, e a fiscalização observa prazos antes de autuar — 15 dias para as distribuidoras no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e 30 dias no Norte; para os postos revendedores, 30 dias nessas mesmas regiões e 60 dias no Norte. Na prática, ao longo de agosto a sua frota abastece com E30 em um posto e E32 em outro, sem que ninguém consiga distinguir na bomba.

A regra existe por um motivo físico simples: um litro de etanol hidratado entrega menos energia que um litro de gasolina, então o carro roda menos quilômetros com ele. Se o preço for baixo o bastante para cobrir essa diferença de rendimento, o etanol sai mais barato por quilômetro rodado. Os 70% são a média em que essa troca costuma empatar no Brasil.
O problema é que média nacional não abastece veículo nenhum. Quem decide se o etanol compensa é a relação de consumo do seu carro, com o seu perfil de uso. Um 1.0 aspirado rodando na cidade, um sedã 1.6 na estrada e um turbo compacto têm relações diferentes — e motores turbo, que aproveitam melhor a octanagem alta do etanol, costumam empatar acima de 70%. Aplicar o mesmo corte para toda a frota significa perder dinheiro em uma metade dela.
A paridade em que o etanol empata com a gasolina, para um veículo específico, é: km/l no etanol ÷ km/l na gasolina. Se o preço do etanol dividido pelo preço da gasolina der um número menor que essa paridade, o etanol está mais barato por quilômetro. Se der maior, a gasolina está.
Exemplo: um carro que faz 12,0 km/l com gasolina e 8,0 km/l com etanol tem paridade de 66,7% (8,0 ÷ 12,0). Com a gasolina a R$ 6,00, o etanol só compensa abaixo de R$ 4,00. A R$ 4,20 — exatamente os 70% da regra de bolso — ele já está caro para esse veículo, e a frota abastece achando que economizou.
Agora o inverso: um turbo que faz 11,0 km/l com gasolina e 8,0 km/l com etanol tem paridade de 72,7%. Com a gasolina a R$ 6,00, o etanol compensa até R$ 4,36. Nesse carro, a regra dos 70% manda o motorista abastecer com gasolina em uma faixa de preço em que o etanol ainda era mais barato.
No fim, tudo desemboca no mesmo indicador: custo por quilômetro, que é o preço do litro dividido pelo km/l. É o número que permite comparar combustível, veículo e rota na mesma unidade — e é a base de qualquer decisão de frota. Se você ainda não acompanha esse indicador, vale começar por ele: como calcular o custo por km rodado.

Não existe atalho aqui: o consumo de catálogo do fabricante é medido em condições de laboratório e não descreve a sua operação. A medição abaixo custa dois abastecimentos por combustível e vale por meses.
Esse último passo é o que a mudança de agosto cobra agora. Medição feita em julho foi feita com outra gasolina. Os ensaios que embasaram o E32, coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e executados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, avaliaram desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões em veículos leves e motocicletas representativos da frota nacional, e concluíram que a nova mistura se comporta de forma equivalente às de menor teor de etanol, sem impactos relevantes — inclusive em motores não flex. Equivalente na média, porém, não é idêntico no seu veículo com a sua rota. Quem mede sabe; quem não mede, opina.
Há um sexto erro, mais silencioso: não escrever a regra. Sem uma orientação clara por modelo, o motorista abastece por hábito ou por preferência pessoal, e a decisão que você calculou na planilha não chega à bomba.
Não. A Resolução CNPE nº 9/2026 estabeleceu a mistura de 32% em caráter excepcional e temporário, com vigência de 180 dias a partir de 1º de agosto de 2026 e possibilidade de prorrogação uma única vez por igual período. Em paralelo, o Comitê Técnico Permanente do Combustível do Futuro segue com estudos sobre misturas de teor maior, como o E35, focados em durabilidade de componentes e efeitos de longo prazo.
Segundo o Ministério de Minas e Energia, os ensaios do Instituto Mauá de Tecnologia em veículos leves e motocicletas representativos da frota nacional não apontaram impactos relevantes no funcionamento, inclusive em motores não flex. Quem prefere um teor menor tem a gasolina premium, única que ficou fora da mudança e permanece com 25% de etanol anidro.
A ANP informou que a adoção do E32 não altera, neste momento, as demais especificações da gasolina previstas na Resolução ANP nº 807/2020, incluindo o Número de Octano Pesquisa (RON), que permanece em 94,0. O que mudou foi a proporção de etanol anidro na mistura.
Durante a transição, não necessariamente. A ANP manteve a regra do art. 15-B da Resolução nº 807/2020 e definiu prazos antes de autuar: 15 dias para distribuidoras no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste e 30 dias no Norte; 30 e 60 dias, respectivamente, para os postos revendedores. Por isso a medição de consumo feita agora deve considerar algumas semanas de mistura entre os dois padrões.
Como referência rápida para quem está parado na bomba com um carro só, ela continua útil. Para frota, é uma média — e o gestor tem os dados para trocar a média pelo número do próprio veículo. A paridade real varia por modelo, motor e perfil de uso, e é ela que decide o custo por quilômetro.
Conteúdo informativo, atualizado em 07/08/2026. Regras de trânsito e valores mudam por estado e por resolução — confirme sempre no órgão oficial antes de decidir.

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