
Diesel B15 na frota: como evitar água e borra no tanque
O biodiesel do B15 puxa água, e água parada no tanque vira borra, filtro entupido e injetor caro. Veja a rotina semanal que protege a sua frota.
As três informações da etiqueta do pneu dizem o que o preço da cotação esconde. Veja como ler consumo, frenagem e ruído antes de fechar a compra.

A cotação de pneus da frota quase sempre termina numa planilha de três colunas: fornecedor, medida e preço. Fecha-se com o mais barato, o borracheiro monta e a conversa acaba ali. Só que o pneu não é uma peça que fica parada esperando quebrar. Ele roda todo dia com o veículo, empurrando o motor a queimar mais ou menos combustível, e é ele que decide onde o caminhão vai parar quando a pista está molhada. Nada disso aparece na coluna do preço — mas está escrito, em três informações, num adesivo colado na banda de rodagem do produto que você acabou de comprar.
Esse adesivo é a ENCE, a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia do Programa Brasileiro de Etiquetagem. Segundo o Inmetro, os pneus destinados a automóveis de passeio, caminhões e ônibus devem trazer a ENCE aposta de forma adesiva sobre a banda de rodagem, de modo que fique visível ao consumidor. A regra vem da Portaria Inmetro nº 379/2021, que consolida o regulamento técnico da qualidade e os requisitos de avaliação da conformidade para pneus novos.
A ENCE não é um selo genérico de qualidade. Ela responde a três perguntas específicas, cada uma medida em ensaio próprio, com os limites de cada faixa definidos no Anexo C da Portaria nº 379/2021.

É a energia que o pneu consome só para girar, deformando-se a cada volta. Quanto maior essa resistência, mais o motor precisa trabalhar para manter a mesma velocidade — e mais combustível some do tanque. O Inmetro descreve esse coeficiente numa escala de A até G, em que A é a classe mais favorável. O ensaio segue a norma ISO 28580 ou o Regulamento UN nº 117.
Para frota, essa costuma ser a letra mais cara de ignorar. Pneu é compra pontual; combustível é despesa que se repete todo mês, em cada veículo. Vale registrar, porém, o que a etiqueta não faz: ela classifica o desempenho em faixas, não promete um percentual de economia. Quem quiser o número da própria operação precisa medir consumo antes e depois, com a frota rodando o mesmo tipo de rota.
Mede a capacidade de frear em asfalto molhado. Aqui mora um detalhe que quase todo material sobre o assunto erra: a escala da aderência não é a mesma da resistência ao rolamento. O Inmetro descreve o coeficiente de aderência em pista molhada numa escala de A até F — uma letra a menos. Se a cotação que chegou até você fala em "aderência G", alguém copiou a informação errada. Os ensaios seguem as normas ISO 23671 e ISO 15222, ou o Regulamento UN nº 117.
Para operação que roda de madrugada, em rodovia, carregada e sob chuva, essa é a letra que não deveria entrar em negociação de centavos.
O terceiro campo é o nível de pressão sonora, apresentado em três escalas de ruído emitido pelo pneu durante a rolagem, com ensaios conforme as normas ISO 13325 e ISO 10844. Parece o critério menos importante dos três, e para muita operação é mesmo — mas pesa em entrega urbana noturna, em cidade com restrição de ruído e no cansaço de quem passa oito horas dentro da cabine.
A pergunta que todo gestor faz na hora da compra é "quantos quilômetros esse pneu aguenta?", e essa é justamente a pergunta que a ENCE não responde. Quem tenta responder é outra marcação, o treadwear, gravado no flanco de parte dos pneus. O Inmetro explica que esse índice varia de 60 a 800, com 100 como valor de referência: um pneu de treadwear 800 deve durar oito vezes mais que um de treadwear 100.
O detalhe importante: a regulamentação brasileira de pneus não adotou o treadwear como critério regulamentar. O motivo, nas palavras do próprio Inmetro, é a falta de reprodutibilidade — o ensaio é feito em circuito de estradas, sem controle de temperatura, pressão ambiente e condições do asfalto. Ou seja: o treadwear serve para comparar dois pneus na mesma prateleira, não para prometer quilometragem no seu contrato.
O Inmetro também lembra que a durabilidade depende de fatores que não estão no produto, e sim na sua operação: carga a que o pneu é submetido, composto de borracha, desenho da banda, perfil, temperatura ambiente, rugosidade da pista, calibragem correta, balanceamento, cambagem e alinhamento. Traduzindo para a rotina: o número real de quilômetros por pneu só sai do histórico da sua própria frota — o mesmo raciocínio de custo por km rodado.
Além da etiqueta, a Portaria nº 379/2021 lista as informações que precisam estar marcadas no próprio pneu. Saber lê-las evita dois problemas clássicos: receber uma medida diferente da especificada e aceitar um pneu que passou anos parado no estoque do fornecedor.
Vale reler a última: 2426 significa a 24ª semana de 2026. É a informação que separa um pneu novo de um pneu que envelheceu na prateleira, e é a mais fácil de conferir na entrega. Os indicadores de desgaste, por sua vez, são a mesma referência usada na fiscalização de banda de rodagem — o assunto do post sobre pneu careca na frota.

Ler a etiqueta uma vez não muda nada. O que muda o custo da frota é a compra deixar de ser uma decisão de preço isolada e virar um critério escrito, que qualquer pessoa do administrativo consegue aplicar sem entender de pneu.
Registrando as classes no ato da compra — é o caminho mais seguro. O Inmetro também disponibiliza os dados de eficiência energética de pneus novos em formato aberto, no Portal Brasileiro de Dados Abertos, dentro do conjunto do Programa Brasileiro de Etiquetagem.
É o melhor naquele critério específico. A etiqueta avalia resistência ao rolamento, aderência em pista molhada e ruído — não avalia durabilidade, recapabilidade nem resistência a corte. Um pneu classe A em rolamento pode não ser o mais indicado para uma operação de obra ou de estrada de terra.
Ao responder essa pergunta, o Inmetro não fixa um prazo: aponta que a durabilidade depende da carga a que o pneu é submetido e de fatores como composto de borracha, desenho da banda, perfil, temperatura ambiente, rugosidade da pista, calibragem, balanceamento, cambagem e alinhamento. O que a norma exige é a marcação da data de fabricação, em quatro algarismos de semana e ano.
Dá para usar como comparação entre produtos, mas com cautela. A regulamentação brasileira não adotou o treadwear como critério, porque os ensaios são realizados em rodovias, sem controle de temperatura, pressão ambiente e condições do asfalto — não há reprodutibilidade entre medições.
O Inmetro determina que os pneus destinados a automóveis de passeio, caminhões e ônibus tragam a ENCE aposta de forma adesiva sobre a banda de rodagem, visível ao consumidor. A medida regulatória de pneus novos está na Portaria Inmetro nº 379/2021 e nas portarias complementares.
Conteúdo informativo, atualizado em 05/09/2026. Regras de trânsito e valores mudam por estado e por resolução — confirme sempre no órgão oficial antes de decidir.

O biodiesel do B15 puxa água, e água parada no tanque vira borra, filtro entupido e injetor caro. Veja a rotina semanal que protege a sua frota.

O biodiesel do B15 puxa água, e água parada no tanque vira borra, filtro entupido e injetor caro. Veja a rotina semanal que protege a sua frota.

Desde 1º de agosto de 2026 a gasolina comum tem 32% de etanol. Veja por que a regra dos 70% engana na frota e como achar a paridade real de cada veículo.